7 de maio de 2016

Reencontro


Ainda lembro-me de quando nos encontramos. Os dois tão ocupados com suas vidas. Seu rosto, às vezes, percorre por meus pensamentos. Outras, em meus sonhos. Nós já não caminhávamos no mesmo caminho. Pergunto-me por que eles haviam se cruzado por alguns minutos... Ao ver o seu rosto, flashes passaram por meus olhos. Momentos nossos. Lembranças daquele lugar, daquela hora que já não eram mais nossos. Por um momento achei que meus pensamentos e sentimentos dominariam cada centímetro de meu corpo. Por um segundo eu estava certa. Já não era mais tão agradável dividir o mesmo espaço com você. Um gosto amargo em minha boca, o corpo quente, as pernas trêmulas, as mãos frias. Uma reação assim, tão intensa, o que poderia me dizer?
E seu rosto percorre por meus olhos. Seus olhos já sem brilho. Não encontrava um sorriso em seus lábios. Sua postura curva, cabisbaixo. Parecia que não estava ali. E talvez não estivesse mesmo. Senti o peso que carregava sobre suas costas e percebi o esforço que fazia para manter-se em pé. Assim como eu procurava forças para estar em pé. Você sempre tão focado em seus objetivos, sempre olhando para o horizonte, encontrei-te sem chão, triste. Ninguém o perguntou sobre as olheiras embaixo de teus olhos ou porque agora está quieto a ponto de parecer que não existe mais? O que aconteceu com o homem que eu conheci? E lá estava eu dividindo uma dor que não era minha e de alguma forma me pertencia. Tudo o que eu sempre imaginei que aconteceria ficou na memória. Olho para os céus todos os dias e peço que essa história encontre um novo caminho e que cruze com caminhos tão mais belos quanto foi o nosso.
Ao ver-me, não havia palavras que pudessem sair de seus lábios, nem um sorriso e muito menos um brilho em seus olhos. E que algum dia, nossos caminhos voltem a se cruzar cheios de flores e lembranças de momentos que deixaram seu perfume doce.

Aline Bueno

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