9 de junho de 2017

A tal "crise existencial"


De tempos em tempos a vida nos dá uma rasteira tão grande que precisamos parar por um momento para nos olhar no espelho e perguntarmos: quem sou eu? É uma incógnita tão complexa e na maioria das vezes tão difícil de responder. Principalmente quando você se perde durante o caminho. É tão fácil e simples perder-se e tão difícil e complicado encontrar-se. Não é como quando se é adolescente e procura encontrar sua identidade. É quando você já tem uma e ela já não te agrada mais. Ou quando você com tudo o que já te aconteceu muda tão drasticamente que já nem sabe quem você é, o que está fazendo com a sua vida. Porque você não conhece quem você se tornou, você não compreende o que faz ou fala. Não é só sobre a sua existência na terra. É mais do que isso, é sobre seus sonhos, sobre quem você é e quer ser. É sobre a sua vida.
Todos os dias criamos planos e mais planos para o nosso futuro. Alguns ficam no planejamento, outros se concretizem e outros ainda perdem-se com o passar do tempo. Estipulamos metas para cada plano. A concretização nos dá satisfação, alegria e orgulho. E quando o prazo se acaba e as metas não foram alcançadas? Mudamos o prazo? Reavaliamos as metas, o plano em seu todo?
A crise existencial é também aquele momento em que você se pergunta: o que estou fazendo com a minha vida? Tudo é tão diferente do que eu imaginei, planejei, sonhei, almejei. É entrar em conflito com você mesmo. É perceber que suas ações não condizem com quem você é, com seus valores, suas crenças. É se ver no caminho errado. É compreender que as coisas que saem de sua boca são apenas uma ilusão que você criou, porque não é o que você realmente quer dizer. Você alimentou tanto as mentiras que quase acreditou nelas. Mas a quem você está enganando além de você mesma? É perder o controle da direção. É estar completamente insatisfeito com o que vê no espelho. É tudo uma confusão... É querer e precisar estar só. Você com seus pensamentos. Você com seu coração. Você com o seu eu...
Como todos os momentos é tão necessário quanto respirar. É você reavaliar a sua vida. O que te aconteceu, o que está acontecendo, o que pode acontecer e o que você quer que aconteça. É você se realinhar novamente. Transformamo-nos todos os dias. É normal as coisas mudarem. No entanto, é imprescindível que tudo esteja em harmonia. Viva este momento. Aproveite as coisas magníficas que ele pode te proporcionar. E lembre-se do por que ele existe. Encontre-se e tudo ficará bem. Você já passou por isso antes e passará novamente. Tenha a fé como sua amiga. Nunca desista, por mais difícil que seja. Lembre-se: para encontrar o arco-íris é necessário enfrentar a chuva.
Aline Bueno

29 de abril de 2017

Paranoias


Paranoias
Por que vocês existem? Nos pegam nos momentos mais frágeis com ideias, muitas vezes, que não são verdades. E mesmo sabendo que são meras ilusões acreditamos fielmente em vocês. Por que vocês sempre estão seguidas de um ponto de interrogação? É para gerar mais dúvida? Ou para vocês se proliferarem? Porque basta uma faísca para vocês tirarem-nos o sono.
Paranoias
De onde vocês vêm? São frutos dos pensamentos de nosso subconsciente? Sempre existiram? Estão lá há cada segundo aguardando o pior momento para se mostrarem presente? Vocês estão em todos nós, seres humanos, ou só em alguns? Vocês escolhem em quem vão estar? Não há tempo ruim para vocês?
Paranoias
Qual é a finalidade de vocês? Sinceramente, fica difícil entender. Se levarmos a sério criamos uma confusão que, muitas vezes, são desnecessárias. Brigamos com nós mesmos. E me diz: a fim do quê? E se não levarmos, ficamos depois nos perguntando se foi o caminho certo... Já é uma bagunça e há tantas incertezas, por que piorar? O que vocês ganham com isso?
Paranoias
É possível controla-las? É possível calar suas bocas assim que começarem a falar? É possível não leva-las tão a sério? É possível viver sem vocês? É possível viver sem as dúvidas? Sem as incertezas? Como seria nossa vida sem vocês?
Paranoias
Se vocês soubessem o quanto nos fazem crescer, amadurecer. Se vocês soubessem o quanto a cada dia que aprendo a conviver com vocês torno-me uma pessoa mais confiante, mais decidida. Ah, se vocês soubessem o quanto me fazem evoluir. Ao final, é como se vocês não mais existissem. Mesmo assim, vocês continuam lá. Só deixam de fazer tanto barulho. Passam apenas a dizer coisas necessárias nos momentos certos.
Aline Bueno

27 de março de 2017

Caminhos da vida


Como escolher qual caminho seguir em meio a tantos? Como saber quais serão as pedras que encontrarei? Como saber qual flor estará ao fim da estrada? Como distinguir a razão da emoção? Como saber o que é certo e o que não é? São tantas incógnitas e nenhuma certeza... A vida é incerteza. Mais incerta ainda são as nossas escolhas.
E quando dizem que tudo pode acontecer é porque tudo, tudo mesmo pode acontecer. Nada nessa vida é certo. O livre arbítrio está em nossas para ser usado. E não ouse guarda-lo no bolso achando que são só mais duas palavras usadas ao acaso. Porque quando você estiver em frente a uma bifurcação, você entenderá que está em suas mãos a sua vida, que a escolha é unicamente sua. E pode ser que você descubra tarde demais. Não se engane e acredite: há sempre outro caminho a seguir; há sempre uma luz na escuridão, por mais fraca que esteja. Sempre haverá outra opção. Sempre haverá tempo de mudar o caminho. A escolha continua sendo sua.
É importante pensar/refletir sobre a vida, mas é imprescindível vive-la sem medo do depois. Vive-la intensamente. Viver sem arrependimentos. Viver o amor. Viver a alegria. Viver os erros e as vitórias. Viver as lágrimas que surgem no caminho. Viver cada momento. Pois quando você se der conta a sua vida já estará ao fim. Tudo passou tão rápido quando aquela tarde ensolarada no parque. Porque a vida é tão leve quanto o vento e tão pesada quanto o ar que respiramos. Nunca pense que tudo acabou. Você vai se surpreender quando a vida mostrar-lhe o que ainda há para viver.
Aline Bueno

9 de dezembro de 2016

Roda Gigante


Talvez nunca vamos compreender as voltas que a vida dá. Ou porque certas coisas aconteceram e como escaparam tão rápido de nossas mãos. É como ter tudo em um dia e perdê-lo no dia seguinte. É como não se ver em outro caminho e na hora do desespero não pensar duas vezes em mudar a direção. É como a água que escorre por entre os dedos.
Talvez em algum momento em nossas vidas esteja programada voltarmos naquele lugar ou reencontrarmos aquela pessoa. A vida encontra sempre uma maneira de fazer o passado tornar-se presente. É como uma roda gigante. Ela não tem fim, nos faz lembrar da continuidade que é a vida. Qual é a sensação de estar em baixo olhando para cima e vendo os degraus ainda a serem subidos? E quando se está em cima e consegue ver a imensidão que é o mundo?
Por um momento talvez desejas descer da roda gigante e olhá-la. Admirar a grandiosidade que és. Saber que dentro dela há lembranças, sonhos, mágoas, desejos, alegrias, perdões, sorrisos, angústias, medos, quedas, esperança, subidas, lágrimas, encantamentos e quem sabe até o nirvana. Saber que há mais nela em você do que você nela. Saber que há uma enorme possibilidade de caminhos e, consequentemente, obstáculos. As cicatrizes já não doem mais tanto. Te dão forças para lutar. É hora de entrar na roda gigante. De volta a vida é imprescindível olhar sempre adiante igualmente abaixo e acima. A vida se encarrega de ligar a roda gigante, mas saiba que é você quem a conduz. Está em suas mãos. Você decide. Lembre-se sempre de olhar para o céu, as estrelas estarão sempre lá.
Aline Bueno

18 de julho de 2016

O poço


Se durante a sua caminhada você encontrar um poço bem fundo, qual seria a sua reação? [Pense].
Desde quando pisamos nossos pés na terra nos derrapamos com obstáculos, pequenos ou grandes. Seja uma pedra, uma porta ou um poço. Cada qual com seu objetivo. Conforme vamos caminhando e passando, bem como superando os obstáculos criamos resistência. É onde começamos a errar. Por já ter vivido tal situação acreditamos que as coisas serão diferentes a partir dali. Ou por pensar o que poderia acontecer nos intitulamos preparados para aquilo. Pergunte-se: estamos preparados para qualquer coisa que possa vir a acontecer?
[Pausa]
Em algum outro momento, nós viveremos outra situação, não exatamente igual, mas bem parecida. Somos humanos frágeis e vulneráveis. Essa simples situação pode nos levar ao poço. No entanto, para alcançar a superfície é necessário ir até o fundo dele. No mesmo instante, nos tornamos humanos fortes. Porque a luz que erradia da superfície é a que sustenta a fé de conseguir ir adiante.
Nós acreditamos que estamos preparados para qualquer coisa, embora saibamos que as coisas não são assim, fáceis. Não importa quantas vezes você passará pela mesma situação (ou parecida), o sentimento será o mesmo. Isso é algo que não se muda, nunca. O frio na barriga estará sempre lá. É importante não só saber que podemos fazer tudo o que estiver em nossas mãos para que as coisas sejam diferentes, sobretudo que somos humanos feitos de sentimentos. Sentimentos esse que nem sempre podemos adivinhar. Sentimentos esse que faz nosso coração acelerar ou se aquietar. Necessitamos ouvir essa parte tão esquecida no meio de um mundo racional.

Aline Bueno

9 de julho de 2016

Momento


Existem momentos em nossa vida que não estamos felizes e nem tristes. Porque existem muitas incógnitas e quase nenhuma certezas. Você sente a necessidade de estar em sintonia com o seu eu. Fechar os olhos para o que está em sua volta e abrir para o que está dentro de você. Um momento que pode levar dias ou até meses. Sobretudo é necessário tanto quanto respirar.
É como assistir um filme só que da sua vida, onde você é o protagonista. A sua história ali contada com as vitórias, os espinhos, os aprendizados, as escolhas de caminho, as dores, as fraquezas, a luta, a fé, a alegria bem como a tristeza. Alguns momentos você pausa, outros você avança. Também tem aqueles que você reprisa várias e várias vezes. Outros você gostaria simplesmente de apagar de sua história, mas não consegue.
Olhar para o passado nos leva a reflexão de quem somos, sobretudo o porquê somos assim.
Nesses momentos você lembra-se de olhar para o céu. As estrelas continuam ali a brilhar intensamente sobre o seu coração. É onde as incógnitas tornam-se mais do que imprescindíveis. Elas tornam-se a base dos caminhos ainda não percorridos, os motivos que a guiam.
Se por algum motivo, o caminho que estás seguindo não é o caminho das estrelas você começa a pensar “como eu faço para seguir o caminho de meu coração?” [pausa] É a parte mais demorada e intensa dos momentos.
No entanto, como todos os momentos ele precisa de um ponto final para dar espaço para tantos outros. É um momento onde você resgata todas as suas forças interiores, coloca as estrelas na frente de seus caminhos e volta à vida.
Algum dia, em outras circunstâncias, um novo momento chegará. Ainda assim, tudo será diferente e ao mesmo tempo igual. Para viver precisamos olhar para as estrelas escritas sobre o coração.
Aline Bueno

7 de maio de 2016

Reencontro


Ainda lembro-me de quando nos encontramos. Os dois tão ocupados com suas vidas. Seu rosto, às vezes, percorre por meus pensamentos. Outras, em meus sonhos. Nós já não caminhávamos no mesmo caminho. Pergunto-me por que eles haviam se cruzado por alguns minutos... Ao ver o seu rosto, flashes passaram por meus olhos. Momentos nossos. Lembranças daquele lugar, daquela hora que já não eram mais nossos. Por um momento achei que meus pensamentos e sentimentos dominariam cada centímetro de meu corpo. Por um segundo eu estava certa. Já não era mais tão agradável dividir o mesmo espaço com você. Um gosto amargo em minha boca, o corpo quente, as pernas trêmulas, as mãos frias. Uma reação assim, tão intensa, o que poderia me dizer?
E seu rosto percorre por meus olhos. Seus olhos já sem brilho. Não encontrava um sorriso em seus lábios. Sua postura curva, cabisbaixo. Parecia que não estava ali. E talvez não estivesse mesmo. Senti o peso que carregava sobre suas costas e percebi o esforço que fazia para manter-se em pé. Assim como eu procurava forças para estar em pé. Você sempre tão focado em seus objetivos, sempre olhando para o horizonte, encontrei-te sem chão, triste. Ninguém o perguntou sobre as olheiras embaixo de teus olhos ou porque agora está quieto a ponto de parecer que não existe mais? O que aconteceu com o homem que eu conheci? E lá estava eu dividindo uma dor que não era minha e de alguma forma me pertencia. Tudo o que eu sempre imaginei que aconteceria ficou na memória. Olho para os céus todos os dias e peço que essa história encontre um novo caminho e que cruze com caminhos tão mais belos quanto foi o nosso.
Ao ver-me, não havia palavras que pudessem sair de seus lábios, nem um sorriso e muito menos um brilho em seus olhos. E que algum dia, nossos caminhos voltem a se cruzar cheios de flores e lembranças de momentos que deixaram seu perfume doce.

Aline Bueno